Mon Amour

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Sobre as maravilhas de ser só

Postado por - 23/09/2013

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Solteiro sim, feliz também! Você realmente acredita que a metade da sua laranja, tampa da panela, ou alma gêmea está por aí? Se sim, parabéns! Você acaba de se auto-intitular como uma pessoa incompleta. Pessoas incompletas andam sempre por aí com uma placa de “há vagas” no pescoço, não procuram pelo amor e sim alguém para amar. O amor virou status e parece que se, hoje em dia, o seu não estiver em “relacionamento sério” bem, você é um ser infeliz.

A “síndrome da felicidade” está se espalhando cada vez mais por aí e ser feliz se tornou sinônimo de estar amando. (Queridos leitores amorosos, antes de tudo, quero lhes avisar que aqui quem vos fala é uma romântica assumida, porém um pouco desiludida com os relatos que a vida dá, confesso). A questão é que não é de hoje que vejo o amor sendo banalizado e que, para a grande maioria, ser feliz (vulgo estar enamorado) se tornou regra. Em minha opinião, o que anda em escassez não é o amor em si e sim o amor próprio, ou mesmo o amor pelo outro. Relacionamentos efêmeros nos rodeiam há tempos, pessoas em que nessa semana estão amando uma e na próxima já estão com outra. As pessoas não querem amar alguém, elas amam estar com alguém e querem fazer deste objetivo de vida delas. Inflar seus egos com um status é forma mais real de demonstrar as quão desmerecedoras elas são de dar ou receber amor.

É claro que ninguém quer “morrer sozinho”, mas nem todo o imenso desejo do mundo de estar amando, vai trazer a pessoa amada em três dias (desculpe-me as cartomantes, mas isso nem vocês conseguem).  As pessoas andam tão ansiosas por preencher vagas que esquecem o quão divertido é passar um tempo sozinho. Você já parou pra pensar no quanto você tem a oferecer? E se a pessoa certa aparecesse hoje na porta da sua casa, você estaria preparado pra ela? Você conseguiria fazer com que ela ficasse com você por quanto tempo antes dela se entediar? Ou então melhor, digamos que você esteja preparado, será que a primeira pessoa que chegar até você é realmente merecedora de todo o seu melhor?

É claro que às vezes a carência bate e que ter um esquentador de orelha faz falta, isso é normal. Nada te impede de se divertir com as pessoas “erradas” enquanto isso, mas desde que faça com que essas agreguem algo em sua vida. Pare de gastar energia com gente que não soma em nada. Não tente mudar ou moldar alguém para se encaixar no seu perfil de perfeição. Esse negócio de princesa ou príncipe encantado é pura ladainha, só existem em livros. Livros, aliás, esses sim são ótimos companheiros de viagem (essa aí chamada vida). Não só livros, mas como também filmes, músicas, aulas de violão, receitas, corridas no parque e “n” itens de uma lista enorme, ou seja, alimente seu “eu”. Infle seu ego e sua cabeça de conhecimento, se ache merecedor de, no mínimo, o melhor.  Use seu tempo livre com coisas que fazem bem para você, assim mesmo, de forma egoísta, sem pensar em mais ninguém. Não tente achar a felicidade no outro e se alguém se apaixonar perdidamente por você em um curto espaço de tempo, desconfie! Não crie mil expectativas em alguém que, assim como você, é humano e falha.

E lembre-se que nem sempre a vida será repleta de momentos bons, ou melhor, quase nunca ela será (esses não costumam aparecer com freqüência para meros mortais). A tristeza está aí para nós aprendermos a dar mais valor às coisas boas. Coisas que, assim como o amor, são exceções. Coisas que não se acham apenas quando se quer, essas sim trazem sorrisos e são reais motivos da felicidade. Esteja preparado, com estoque de comida e tudo, pra quando o verdadeiro amor (e porque não amores?) bater na sua porta e pedir para ficar.

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