Mon Amour

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Você está aceitando o amor que acha merecer?

Postado por - 05/05/2017

Comportamento, Textos   0 comentários

10455017_822618341106498_751382925835829400_oDesde cedo somos ensinados que o que vem fácil demais não é “bom o suficiente”. É como se pra algo se tornar especial, para “darmos o valor necessário”, devêssemos sofrer, dormir pouquíssimas horas e quebrar a cabeça pra conseguir. Talvez – T A L V E Z – isso seja verdade quando se trata de trabalho/carreira/negócios e vida financeira em geral, afinal, é maravilhoso ver um sonho seu se tornar palpável após um bom tanto de esforço, né? Tipo quando eu, finalmente, consegui comprar meu All Star cano alto aos 14 anos com meu salário de secretária/assistente em meio período do meu pai. Mas também pode ser maravilhoso ganhar presentes da vida, eu duvido você reclamar de ganhar uma viagem gratuita pra, sei lá, Chapecó e ficar triste durante a viagem por ter ganho ela sem perder, sequer, uma gota de suor (você vai é ficar fascinado por nossos diversos pontos turísticos, isso sim).

Algumas (várias) pessoas, confundem esse tal esforço quando o assunto é relacionamento também, como se o amor que viesse fácil demais (sem complicações) não tivesse tanta graça quanto os sofríveis e cheio de “luta”. Elas então começam a se relacionar, inconscientemente, com pessoas totalmente diferentes delas (e não to falando apenas de gosto musical/cinematográfico/literário), com modos de pensar completamente opostos. Então, começam a sentirem-se desconfortáveis no relacionamento e como se estivem sendo repreendidas por serem quem são – e realmente estão. Por exemplo, eu gosto de danças esquisitas, muitas delas às vezes são feitas em lugares públicos, como no meio da rua (ou no corredor do mercado) e seria completamente horrível pra mim se um possível parceiro meu se sentisse constrangido (e não dançasse junto) comigo ou olhasse com cara de desaprovação pra minha dança (que particularmente é fantástica – de tão ridícula).

Temos – eu, inclusive – de parar de nos reprimir por medo do que pensarão de nós, temos de parar de tentar nos encaixarmos em lugares que não nos pertencem, que não fazemos parte. Se desdobrar pra caber no mundo de alguém não é saudável, não é justo com o outro e principalmente, não é justo com você. Deixar de ser ou ofuscar quem se é para agradar alguém é esmagar-se por dentro, tortura pura! Se você anda se sentindo ansiosa(o) e passando nervoso com o relacionamento atual é porque algo não está se encaixando. E se não tá se encaixando é porque não é pra você.

Não estou dizendo que estas pessoas “erradas” são ruins, só estou dizendo que ela ou ele não é o certo: pra você. Um exemplo disso é que, certamente, existe algum amigo seu que você acha fodasticamente foda, mas que você sabe que vocês jamais dariam certo como casal e é até bem difícil de imaginar – é possível que você até tenha pensando nele agora e acrescentado a palavra “credo” no pensamento.

“Ah, Eve, mas tão bonito o rosto. Como vou ter certeza que ele não é o certo pra mim?”

Autoconhecimento, bitch! 

Só você pode saber o que é melhor e certo para você, confie mais nos seus instintos. Eu – lá vou eu me colocar como exemplo – adoro filosofia de bar, dessas cheias de perguntas sem respostas que não chegam à conclusão alguma, e adoro conversar por horas, então, é provável que eu vá passar horas ou dias (anos até) falando bobagens com alguém que me dê brecha e ame as mesmas coisas que eu. Possivelmente essa pessoa se torna-rá alguém interessantíssimo pra mim e vice-versa. Eu – de novo – não vejo problemas em sair com a mesma pessoa diversas vezes seguidas na mesma semana ou mandar memes sem sentido no meio do dia. Odeio joguinhos, nada contra quem gosta (mas pra quê, né?!), e é 99% impossível que eu dê certo com alguém que fique fingindo ter a agenda mais lotada do universo só pra não me entregar “as cartas do jogo”.

Eu prefiro deixar o “jogador” pra Maria, Joana, Francisca (ou seja lá quem for) que também gosta dos tais joguinhos e combina mais com ele, do que fingir estar tudo bem e “mostrar que também sei jogar” – até porque não sei. Pra mim, ausência é falta de interesse e ponto. Eu (e provavelmente você também) não tenho tempo ou paciência pra perder com gente que não merece – além do mais tenho aluguel pra pagar, né. Se for pra perder tempo com algo, que seja procurando freelas, escrevendo neste blog ou vendo vídeos de gatinhos no YouTube – aliás recomendo demais os vídeos do Sylvester.

Enfim, este texto é mais um daqueles que eu uso pra nos (no plural de eu e você) motivar, nos trazer de volta pra terrinha e nos lembrar que não existe ninguém mais importante pra nós do que nós mesmos. E todos devem nos tratar, no mínimo, como os MARAVILHOSOS que somos. Amar tem de ser fácil sim, tem de ser natural e único.  Se for pra passar momentos com alguém que seja pra ganhar tempo, que seja pra criar boas lembranças, trazer sossego, fazer carinhos e dar gargalhadas. Se formos inteiros, meias porções não irão nos bastar.

mon amour

Imagem topo: Sara Herranz

*Eu sei que meus textos sempre tão cheios de parenteses – e esses tracinhos que não sei o nome. Mas é que sempre que escrevo me imagino falando com um(a) amigx  na mesa de um bar e é assim que minha cabeça funciona.


de vez em quando
é que você encontra
alguém com uma
presença
e eletricidade
que combina com a tua
no
ato

– Charles Bukowski

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