Mon Amour

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C’est la vie – Página um

Postado por - 28/02/2013

C'est la vie, Textos   2 comentários

shadow

Então ele saiu pela porta pela última vez, fiquei esperando um último olhar, um olhar que dissesse “estou indo embora, mas ainda te amo” nem que fosse um pouquinho. Não, ele não olhou para trás, ele não recuou. Não deu aquele seu olhar provocativo, não deu aquele sorriso bobo com o canto da boca, não estalou os dedos como quando fazia ao estar na dúvida, não beijou minha testa pela última vez me passando segurança. E a última coisa que vi foram suas costas, que dessa vez estavam tão frias, após isso não consegui ver mais nada, meus olhos se encharcaram de lágrimas e assim ficaram por mais de uma semana. Foram três anos juntos e agora eu estava sozinha. É eu estava só, nada iria mudar isso, nem por mil lágrimas as coisas voltariam a ser como antes, mesmo se ele voltasse. Suas palavras me disseram “não estou mais apaixonado” e eu as compreendi, não quero passar por tudo isso novamente.

Então eu começo a entender, as lágrimas vão secando, os choros vêem, mas não de forma tão constante. Após quase um mês, bebo mais meia garrafa de vinho como em quase todas as outras noites, pela primeira vez eu tiro meu casaco do armário a fim de sair de casa um pouco, vou ao encontro dos meus amigos, “essa noite irei me divertir” exijo a mim mesma. Chego ao encontro deles, estão preocupados comigo, me olham com olhos desconfiados e perguntam se está tudo bem, eu respondo “sim” e desvio o olhar, naquele momento eles compreendem que nada vai bem, que venho me esforçando e eles sabem que eu não quero falar sobre isso, eu não quero começar a chorar, não, hoje não. “Eu irei ser forte” digo a mim mesma e por algumas horas foi isso mesmo que aconteceu.

Fui pegar mais uma cerveja no balcão do bar, um cara veio falar comigo, seus cabelos são negros e brilhantes, seus olhos profundos, eu poderia me perder dentro deles. Ele não é como a maioria dos outros, ele tem um ar misterioso, algo diferente, seu humor é inteligente, nossa conversa flui de uma forma tão natural, falamos sobre tudo, filmes, músicas, fotografia, ele me conta que havia ido embora pra fora do país há algum tempo e que voltará a morar na cidade fazia alguns meses. Ele é um cara simpático e bem comunicativo, já está rodeado de amigos, me apresenta a eles e um tempo depois sugere “vamos até um lugar mais calmo?” e eu aceito. Vamos pro lado de fora do bar, ele faz perguntas sobre mim, se interessa em saber quem eu sou e do que gosto, nós rimos juntos e por vários minutos eu esqueço aquele outro cara, o que me deu as costas dias atrás. Até que em um momento qualquer ele passa a mão nos cabelos, mas não é “passar de mãos nos cabelos” normal, ele é igual ao daquela pessoa, aquela pela qual eu havia chorado por quase um mês todo, eu aviso que vou ao banheiro, dou-lhe um beijo na bochecha e não volto mais. Em lágrimas chego em casa e descubro o que eu já sabia: ainda é cedo.

2 respostas para “C’est la vie – Página um”

  1. Francieli disse:

    Oi Evelise!

    Adorei seu texto, gosto muito do gênero romance e o seu foi muito bem escrito! Sempre que terminamos algo que foi importante para nós é normal levar um tempo para nos sentirmos prontas pra tentar de novo e não há nada de errado nisso!

    Beijos!
    blogdaruiva

    • Evelise disse:

      Obrigada Francieli! :)
      É verdade, concordo com você, é bom deixar o coração se acalmar…
      Logo vou postar a página dois, se quiser, acompanhe.
      Obrigada pela visita ;*

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