Mon Amour

...

C’est la vie – Página cinco e ponto final

Postado por - 18/04/2013

C'est la vie, Textos   1 comentário

5787411123_878d1914bb_z

Seis meses e alguns dias desde o término. E dois meses desde a noite da fogueira. Não, eu não liguei pro rapaz dos cabelos negros e olhos profundos. Tenho seu número guardado em um caderninho no fundo da gaveta. Nunca tive vontade ou coragem de ligar pra ele e também não estava pronta. Infelizmente meu coração ainda estava quebrado e eu juntando os cacos. Não o encontrei mais em lugar algum, na verdade, passei um mês viajando. Acho que a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos tempos foi ter tirado essas férias. Passei quase um mês todo do inverno na praia, na casa dos meus pais.  Foi um mês desgastante, psicologicamente falando, tive muito tempo livre e minha mente quase entrou em “choque”. Mas foi um tempo bom também, muita coisa passou a ser compreendida, comecei a rever meus conceitos, analisei o meu antigo relacionamento, acabei descobrindo onde falhei e mais importante, acabei descobrindo que o não existe um verdadeiro culpado. Fiz caminhadas pela manhã ao som de minhas bandas favoritas, passei dias na varanda lendo bons livros e aprendi algumas receitas com minha mãe.

Meu maior passatempo foi estar comigo mesma e posso dizer que foi bem aproveitado. Descobri que posso aprender coisas novas todos os dias, que posso viver sem um computador, mas prefiro ter ele e que posso viver sem outras “coisas” em minha vida, que posso escolher tê-las ou deixá-las ir. Aprendi que não é amar que me deixa feliz e sim o fato de compartilhar desse amor. Percebi que nada é pra sempre, que eu não devo guardar rancor em meu coração e que por mais que o Sr. Costas Frias tenha me “enrolado” por um tempo, não deve ter sido fácil pra ele também, deixar o amor, ou melhor, alguém que te ama, exige coragem. Amar alguém é mais difícil do que ser amado, mas é bem mais prazeroso. Eu sei que por um bom tempo os dois foram felizes e isso que deve permanecer em nossas memórias. Temos nos comunicado com mais freqüência, já não precisamos saber por intermediário dos amigos como estamos, mas não nos víamos faz um tempo. Hoje mais cedo ele me ligou, me chamou pra almoçar, dessa vez parece diferente, eu não senti a respiração falhar. Eu realmente tive a sensação de frio na barriga por saber que ia vê-lo pela primeira vez após alguns meses, mas nada se compara aquele antigo sentimento de angústia que corria a minha garganta ao saber dele. Perguntas do tipo “como estão seus cabelos castanhos e sua barba?” me vem à cabeça, mas eu não sinto mais falta dele.

Meio dia e lá está ele, sua aparência não mudou muito, talvez sua barba esteja mais bem feita do que a última vez, mas é só isso. “Olá” ele diz e eu abro um sorriso quase maior que minha própria boca, confiro disfarçadamente minha palpitação, meu coração não parece querer sair pela boca, minhas mãos não estão suando e eu não consigo acreditar, pois é: eu não o amo mais. Fomos ao mesmo restaurante daquela última vez, conversamos sobre como vão nossas vidas, rimos, gargalhamos até e terminamos o encontro com um longo abraço do tipo que significa um “adeus a nós” (ao menos pra mim). Eu digo “obrigada por tudo” e volto ao trabalho. Se eu estou pronta pra começar algo novo eu não sei, mas que meu coração está livre, disso eu tenho certeza! De nós ficarão apenas as boas lembranças, daquelas que lembrarei com um sorriso estampado no rosto e algumas não tão boas, só pra não esquecer que se não ficamos juntos, tivemos nossos motivos e ter certeza que todos eles servirão, ao menos, como experiência. Nesse momento não existe mais nós, existe apenas eu. Um alguém em busca do próprio caminho. Acabo de desligar o telefone, liguei para o “Sr. Olhos Profundos” e o convidei para um café. Terminarei esse último texto, pegarei meu casaco e irei ao seu encontro. Estou pronta para virar a página.

Para ouvir com o post: Don’t Panic – Coldplay

(Imagem)

Uma resposta para “C’est la vie – Página cinco e ponto final”

  1. Sami Ferraz disse:

    Que texto mais lindo *.*
    A sensação de alivio quando se supera e, finalmente, se consegue seguir a vida é indescritível. A pessoa não deixa de ser especial, mas é uma sensação muito boa de leveza. :)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *