Mon Amour

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Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Postado por - 24/01/2017

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Um dos meus livros favoritos não poderia conter um título simples e curto, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios foi  (muito bem) escrito paras pessoas que, assim como eu, são apaixonadas pelas profundezas em que o amor pode nos afundar. Com uma linguagem simplória e bastante honesta, o paulista Marçal Aquino, consegue nos transportar a um romance tão realista e concreto que nos passa a sensação de estar acontecendo logo ali, perto de casa. Como sempre, destaquei algumas de minhas passagens preferidas com post-its e compartilhei algumas aqui com vocês.

Estruturada no cenário amazônico, no interior do Pará, a história gira em torno de um romance clandestino entre dois personagens mágicos, confusos e totalmente envolventes. Narrado em primeira pessoa, em um futuro não muito distante, pelo protagonista, o fotógrafo Cauby nos conta como já num primeiro instante se apaixonou perdidamente pela sedutora Lavínia, uma mulher extremamente peculiar e inconstante.

“Valeu a pena ser invadido por uma onda de
felicidade,
ser tocado por uma tormenta.”

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Lavínia traz na bagagem um passado sofrido acompanhado de drogas e prostituição, caminhos que a levaram a encontrar seu, então, marido, Ernani, um pastor de igreja evangélica muito querido pelos moradores locais. Cauby deixou a grande São Paulo em busca de paz e inspiração no interior, onde acabou conhecendo o inferno. Os dois começam a dividir seus mundos um com o outro de um modo totalmente intenso e ao mesmo tempo regado de momentos repletos de pequenos prazeres que a vida nos impõe. Como se isso não bastasse, em paralelo temos uma guerra entre garimpeiros e uma mineradora.

Com o auxílio de seu livro de cabeceira (inventado pelo próprio Marçal Aquino) onde o professor Schianberg dita “conceitos” sobre o amor, Cauby se vê cada vez mais perdido e mergulhado no precipício que são os olhos (e lábios) de Lavínia. Os amores perdidos, os amores que nunca existirão, a possessão que resolve se envolver em meio aos relacionamentos e claro, as loucuras que o amor é capaz de nos fazer cometer, se encontram presentes nesta maravilhosa obra – que eu ressalto: brasileira.

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“Poucas vezes me senti tão confortável no mundo. E, no entanto, sofria, por antecipação, o grande vazio que seria o resto da minha existência sem ela.

O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.”

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“Perguntei por que me escolhera.

Gostei do jeito que você me olhou, disse. Parecia que estava pedindo desculpas por me achar tão bonita.

Remova a poesia do que ela falou: eu a olhei na loja de Chang com uma fome que nunca senti por nenhuma outra mulher. Um episódio inaugural. E também fui olhando de uma maneira que ainda não tinha acontecido antes. Conhecê-la fez do passado um mero ensaio, um treino antes de ser exposto à sua incandescência.”

Um livro pra quem gosta de filosofar e teorizar sobre amor, suas consequências e mergulhar nas angustias individuais do ser. De fácil e envolvente leitura, você com certeza irá quebrar alguns paradigmas sobre as relações – não estou falando sobre concordar ou discordar – passando a enxergar que não se pode julgar algo sem valorizar sua história.

Uma curiosidade: o livro deu origem ao filme, de mesmo nome, que foi lançado em 20, onde Lavínia é interpretada pela linda Camila Pitanga(ão) e pode ser assistido no aqui no YouTube (em modesta qualidade, haha). Recomendo ler o livro antes de assistir.

“Alguns amores levam à ruína.
Eu soube disso desde a primeira vez
em que Lavínia entrou na minha casa.”

Ano: 2005
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 229
Nota: 5/5

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