Mon Amour

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Das coisas pra se levar na bagagem

Postado por - 19/09/2016

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Com tantas idas e vindas em minha vida, aprendi a me acostumar com mudanças, encaixotar tudo, se despedir e conhecer gente nova se tornou parte de quem eu sou desde cedo. Já fui e voltei de Curitiba – PR para Chapecó – SC quase mais vezes do que os dedos das minhas mãos podem contar. O mudar – de escola, de cidade, de amigos – se tornou algo tão normal pra mim que a partir do momento em que as coisas viravam rotina (como estudar três anos em um mesmo colégio, por exemplo), elas se tornavam sinônimo de chatice. Fazer as malas e ir embora quando um problema surgia não era apenas a opção mais fácil, mas a única que eu me via escolhendo.

Isso passou a refletir em tudo na minha vida, nunca fui o tipo de pessoa que falava abertamente sobre os próprios sentimentos, o que dificultava bastante as coisas, então, quando estava triste? Me isolava. Com o tempo comecei a me sentir frustada, me sentia errada no mundo, como se não tivesse muito a oferecer. Foi através do amadurecimento que pude perceber que, apesar de querer muito, não poderia levar a vida assim. Eu passei a entender que eu não era uma pessoa ruim em não querer interagir além do necessário com os outros, não fazia por mal, eu estava apenas com medo. Eu usava uma carapuça de valente e construía muros entre mim e a realidade para não ter de lidar ela, criava uma espécie de proteção, pois partir era algo secretamente doloroso pra mim, não apenas por deixar o lugar, mas por achar que nunca faria parte dele – ou de qualquer outro.

A partir do momento em que me mostrei mais aberta ao mundo, ele começou a se mostrar mais disposto pra mim também. Foi deixando os outros me conhecerem que acabei descobrindo quem verdadeiramente sou e passei a aceitar o próximo como ele realmente é. Como dizem, a gente só se conhece a partir de nossas ações e, quando agimos mais do que pensamos (sim, eu pensava DEMAIS antes de agir) começamos a entender mais sobre nossas capacidades. Foi me libertando das minhas (como eu pensava até então) limitações que passei a conhecer uma Evelise carinhosa, amiga, conselheira amorosa, “ótima” piadista, cheia de pequenas imperfeições e falhas, uma Evelise humana, repleta de pontos bons e pontos a serem melhorados. Eu aprendi a amar quem eu sou e a entender que é preciso se permitir para poder ter algumas certezas.

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Viver com medo de se deixar levar só serve para nos deixar presos em nossa própria bolha e nos impedir de conhecer lugares, pessoas, ações e sentimentos incríveis. A vida pode realmente nos surpreender quando desejamos imensamente ser surpreendidos. E se, tem uma coisa que ela me ensinou é que, assim que você resolver estender sua mão, alguém provavelmente aparecerá para agarrá-la. Tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas ao longo da estrada e não tenho mais medo de ser sozinha (pois era justamente o medo que me fazia ser só). Aprendi que as pessoas não precisam amar meus defeitos, mas sim respeitá-los e vice-versa, aprendi que não sou obrigada a gostar de alguém, assim como ninguém é obrigado a gostar de mim e que o que é verdadeiro realmente permanece. A vida e o amadurecimento se encarregam de selecionar as coisas boas e te fazem aprender com as ruins.

Hoje eu sei que, independente dos perrengues por quais eu tenha de passar, tudo ficará bem, pois posso contar com indivíduos incríveis para me ajudar no meio do caminho, assim como os mesmos sabem que sempre poderão contar comigo também. Eu aprendi que você não precisa permanecer em um lugar para pertencer a ele. Eu posso fazer as malas e pegar a estrada assim que quiser sem medo de perder algo no caminho, posso morar aqui em Chapecó ou na Irlanda sem me preocupar em me sentir sozinha. Pois, o que realmente importa não são as raízes que fincamos e sim os laços que se criamos, são as mãos que nos estendem quando as coisas não vão bem e os pés que resolvem nos acompanhar quando decidimos mudar tudo.

Quando o amor bater à sua porta não tenha medo de abraçá-lo e oferecê-lo um café

Postado por - 28/07/2016

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Para ouvir lendo

Eu sei que tudo até aqui parece ter dado errado. Eu sei que se alguém chegar nesse momento, você estará vestindo uma armadura e buscando o lugar mais alto e distante pra se proteger. Eu sei que no fundo você até espera que alguém tente, mas é assombroso pensar em dividir seu caminho com alguém quando você acha que já percorreu os piores obstáculos sozinho. Não tenha medo de amar, não tenha medo de se entregar, de sentir e de gritar o que seu coração mandar.

Eu sei que todos andam dizendo por aí que as pessoas não amam mais e que não se preocupam com o que os outros sentem. Mas a realidade é que tá todo mundo perdido, tá todo mundo com tanto medo de se machucar que acaba achando melhor não sentir nada, ou melhor; tentar não sentir. A gente tá sempre com medo de se machucar e buscando por aí conselhos com gente tão perdida quanto a gente. O resultado: volta-e-meia surgem cicatrizes que nem sabemos de onde vieram. Provavelmente elas são a junção de uma porção enorme de ressentimentos, coisas não ditas e de “e se?” que preferirmos manter escondidos.

Chega a ser cômica a quantia de livros, músicas e filmes feitos a partir do amor e como no final você percebe que todos são contraditórios. Nunca houve receita, nunca houve resposta certa ou errada. O que é o amor? Como se sabe quando é amor? Amor é amor, poxa! Não precisa ser explicado, muito menos interpretado. Então, se um dia você tiver a sorte de ele aparecer na sua porta, não se poupe. Se permita e ponto! Vá sem medo de pensar o que os outros acham disso, seja sincero com você acima de tudo e nunca se permita ser infeliz.

Pior que sofrer por um amor que deu errado, é sofrer por algo que você nem sequer se deu o prazer de descobrir. Quando se encontra o amor você percebe o quão ilimitado ele é e, então, descobre que quanto mais você ama, mais ele aumenta e mesmo que não dê certo com alguém, a tristeza vira paz. Porque por mais que lá fora as coisas pareçam um furacão e que no começo suas lágrimas se tornem involuntárias, dentro do peito você vê algo crescer. Você acaba percebendo o quão capaz você é de amar, o quanto transbordante um sentimento pode ser e passa a se tranquilizar com isso. Ao invés de pensar  no porque das coisas terem dado errado, você passa a ser agradecido por tê-las vivido. Então, se nesse momento você está em dúvida sobre dizer ou não, sentir ou não, vai sem medo, não se permita guardar esse amor só pra ti (afinal o mundo tá precisando de amor, né?), espalhe ele por aí, tente!

Se assustar o outro, azar (nem todo mundo tem coragem de se jogar), mas por favor, não seja a pessoa medrosa da história. O amor baterá pouquíssimas vezes em sua porta ao longo da estrada, pode ter certeza. Talvez ele seja apenas uns dos melhores finais de semana que você irá viver, mas “e se” talvez, daqui uns 50 anos, ele dance com você na sala de estar ao som de um disco qualquer enquanto as cortinas balançam?! O fato é que você só vai descobrir se tentar. Pode ser que esse tentar seja a coisa mais difícil que você fará, mas também pode ser uma das coisas mais incríveis que você sentirá em toda a sua vida.

“Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos”

                                                       – Manoel de Barros

Não tenha urgência em amar

Postado por - 12/05/2016

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O amor exige urgência, o amar não. Eu sei que muitas vezes parece que seu dia nunca vai chegar e que seus relacionamentos continuarão dando errado um após o outro. Eu sei que por muitas vezes tudo pareceu tão bem planejado em sua cabeça que você chegou a acreditar que nada e nem ninguém pudesse estragar seus planos. Então, mais uma vez a vida te mostrou que, na prática, as peças simplesmente não se encaixam facilmente assim. Ah, se a vida fosse como planejamos, não é mesmo?! Você começa então se achar uma pessoa “toda errada”, se perguntar o porquê as coisas parecem irem tão bem para os outros e quando se trata de você tudo parece ser tão difícil, tão inalcançável. Dia desses eu estava assistindo um documentário em que um dos entrevistados, o escritor Rubem Alves, diz “eu cheguei aonde cheguei porque tudo o que planejei deu errado” e essa talvez seja totalmente a graça da vida. Se tudo estivesse agora do jeitinho que você havia imaginado anos atrás, é bem provável que na sua vida faltariam momentos surpreendentes e sobrariam dias tediosos.

Não sei você, mas eu odeio rotina e não consigo me acostumar com mesmices, gosto de jantar na mesa sim, mas são os jantares atípicos, como comer pizza em cima do capô do carro olhando as estrelas, os que me marcam a memória. Eu sempre fui uma pessoa 8 ou 80, não sei viver de metades, não sei me entregar só um pouquinho, abraçar fraco e beijar devagarinho. Eu gosto de viver tudo muito intensamente, gosto de olho no olho e danças estranhas. E apesar de ser assim, quando o assunto é sentimento, as coisas são bem mais amenas no meu peito. Eu aprendi a ir mais devagar justamente porque, do mesmo modo que Rubem Alves, tudo costumava não dar muito certo no que se trata de relacionamentos e talvez seja porque a maior parte deles foi construída à base de expectativas e utopias. Quando o assunto é amor já magoei e fui magoada mais vezes do que o esperado. E assim como já encontrei a pessoa certa na hora errada, eu já fui a pessoa errada na hora certa de alguém. Às vezes as coisas simplesmente não são e não há mal algum nisso, muito pelo contrário.

Por exemplo, certamente alguma vez em sua vida você já esteve onde desejou, começou a namorar alguém que na ocasião parecia ser espetacular ou se viu livre de algum relacionamento que não te fazia mais bem. É provável que no começo tudo pareceu se encaixar, foi fácil se acostumar, mas logo após um tempo tudo se tornou tedioso e costumeiro de novo. Você percebeu que novamente aquilo não te bastava e que talvez o “errado” poderia ser você. Isso acontece porquê muitas vezes queremos tanto apressar algo e temos tanta urgência em consegui-lo que acabamos por aceitar pessoas ou situações incompletas em nossas vidas ou desistimos das coisas sem fazer muita questão de tentar mudá-las. Aceitamos meio termos apenas pelo medo de que algo ou alguém melhor nunca chegue ou aconteça. E por melhor não quero dizer que existam pessoas melhores ou piores, mais merecedoras ou menos que outras, mas sim por acreditar que na vida existam coisas que se encaixam e coisas que não, momentos e pessoas que possuem tempos diferentes.

Neste exato momento existem diversas pessoas no mundo preocupadas e gastando neurônios com situações que talvez nunca aconteçam. Pessoas tentando adivinhar o que as outras pensam por simplesmente ter medo de perguntar. Neste exato momento existe gente com medo de se declarar e gente com medo de se entregar. Saiba que esse medo de se abrir com os outros pode estar te fazendo perder a chance de se surpreender ou de se livrar das noites mal dormidas. Ser sincero é o melhor presente que você pode dar pra alguém e pra si mesmo. Não fique matutando coisas em sua cabeça que são apenas possibilidades, adivinhações de um futuro baseado em apenas suas experiências, lembre-se que todos somos humanos e permita-se confiar em alguém. Todos temos dúvidas e queremos respostas. Acredite, é mais fácil magoar alguém com falsas promessas, olhares profundos e palavras não ditas do que com verdades. É justamente por sermos humanos que sabemos que todos temos bagagem, todos já suportamos muitas coisas e podemos suportar muitas mais. Então não duvide do poder de compreensão de alguém, jamais se permita enganar alguém e principalmente, jamais se engane tentando ser quem você não é.

Não tenha pressa de amar, não tente fazer disso uma obrigação e não busque nisso um sinônimo de felicidade. Pode ser que hoje você não esteja pronto pra deixar alguém entrar em seu coração justamente porque essa não é a hora certa pra dividir o espaço com alguém. Pode ser que, mesmo ela sendo a pessoa certa, você não consiga ser o anfitrião que ela merece (ninguém merece visitar uma casa sem um café quentinho esperando, né?). Então, não se martirize, tenha paciência, não se culpe por não amar alguém e não tente forçar alguém a amá-lo. Exponha seus sentimentos ou mesmo a falta deles e desfrute de suas incertezas. Sendo verdadeiro consigo mesmo, você evitará futuros arrependimentos e magoas profundas. Se permita respirar, não se esqueça de aproveitar cada segundo dos momentos confusos desse ser “todo errado” que é você e entenda que o seu tempo é diferente ao de outro alguém. Respeite-o.

“O que você procura está procurando você.”
– Rumi

Geleia de morango com chia

Postado por - 12/04/2016

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A maioria das pessoas sabem o quanto os conservantes e corantes, entre outros ingredientes industrializados podem nos fazer mal e sempre que possível eu procuro evitá-los. Pensando nisso (e no fato de eu amar comer bem), passo bastante tempo na cozinha buscando alternativas mais saudáveis. Hoje vamos de geleia de morango, uma receita super simples de fazer!

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Ingredientes

400g de morangos frescos
1 xícara de açúcar (eu usei o demerara)
1/2 limão
2 col. de sopa de chia

Modo de fazer: Basta juntar todos os ingredientes em uma panela e mexer constantemente até que a mistura comece e desgrudar do fundo. O ponto certo vai depender de você querer deixar mais pedaços inteiros ou menos. Após desligar o fogo, adicione as colheres de chia e misture.

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Tempo de preparo: De 20 a 30 minutos. Dificuldade: Fácil.
Espero que vocês testem em casa e gostem tanto quanto eu. ♥

Beijos e até logo,

Eve ♥