Mon Amour

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Precisamos falar sobre “Os 13 Porquês”

Postado por - 05/04/2017

Comportamento   0 comentários

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Um suicídio adolescente narrado, em fitas cassetes, pela própria protagonista. A série 13 Reasons Why (ou Os 13 Porquês) conta os motivos que levaram a jovem Hanna Baker a tirar a própria vida. Baseada no livro homônimo, escrito por Jay Asher, a adaptação, que estreou na última sexta-feira, 31 de março, foi produzida pela Netflix e conta com 13 episódios em sua primeira temporada.  Seu sucesso está estampado na repercussão que a série vem fazendo nas redes sociais, são diversos compartilhamentos sobre e até hashtags, como a#nãosejaumporque,  foram criadas no Twitter em prol da campanha anti-bullying.

Fica fácil saber o porquê de a série estar sendo tão comentada por todos, os assuntos como depressão, bullying, isolamento, abuso sexual e psicológico, infelizmente, estão constantemente presentes em nosso dia-a-dia. Os julgamentos e piadinhas feitos pelos personagens ligados à série não passam do reflexo da sociedade em que vivemos e é claro que a identificação, tanto como vítima, tanto como agressor, se torna inevitável.

Temos que ter em mente também que a adolescência é uma fase complicada, onde os sentimentos tendem a ser amplificados e que é normal sentir-se um pouco perdido. Então, além das confusões internas que a personagem passa devemos somar a isso todo o abuso do ambiente externo (tanto físico como mental) sofrido pela protagonista. 13 Reasons Why nos desafia a entender o que se passa na cabeça de Hanna e faz com que tentamos compreender os motivos que levaram-na a chegar a um patamar tão extremo da dor em que viver não lhe bastava mais. É fácil nos colocarmos no lugar Hanna, principalmente pra quem já foi vitima de algum tipo de agressão verbal ou física e ao mesmo tempo que é difícil concordar com sua opção, é compreensível.

Quando se trata dos abusos sofridos por Hanna podemos ver que o machismo se encontra presente em muitas das situações pelas quais ela passa, primeiro com boatos espalhados pela escola que a tacham como “vadia” onde em contraponto vemos que o garoto envolvido sai como “pegador”. Segundo quando ela entra para uma lista que classifica as melhores partes do corpo de várias garotas da escola, tanto que Clay (outro personagem crucial para o desenvolvimento do roteiro) enxerga isto como elogio, ou seja, como se fosse algo normal e outros momentos que prefiro não contar para lhes poupar de spoillers.

Então, “venho por meio deste” lhes dizer o que provavelmente você já sabe (ou deveria); não, não é normal objetificar o corpo de alguém, muito menos divulgar e compartilhar fotos íntimas de alguém e não é normal tentar julgar alguém quando não se está passando pela mesma situação.

Além do machismo, podemos ver que a depressão é um assunto que ainda se encontra mascarado em nossa sociedade (porque ser feliz parece não ter deixado de ser regra). A forma como o assunto é tratado dentro da série que, lembrando, tem como principal público-alvo os jovens, não deixou a desejar em nenhum episódio. Não tentaram poupar o espectador do lado cruel e verdadeiro dos piores momentos da vida de Hanna, que por diversas vezes foi taxada pelos colegas como “dramática” ou alguém que queria apenas atenção. Depressão não é frescura e jamais deveria ser motivo de piadas ou ser tratada de forma leve, depressão é coisa séria. Mesmo tentando nos colocar no lugar de alguém nunca poderemos sentir a dor do outro, o que te afeta de uma maneira pode afetar o outro de uma forma totalmente diferente, já disse Caetano “cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é…”

O objetivo da série não é apenas mostrar que o suicídio não é a melhor saída, mas sim nos convidar a refletir sobre as vezes em que deixamos nos levar a ser um dos “porquês“. Muitas são as razões do suicídio e muitas vezes, mesmo que sem perceber, podemos estar contribuindo com isso, devemos estar cientes que a culpa não pertence apenas aos que atingem diretamente alguém, mas também cabe a quem tem conhecimento e não faz nada para evitar ou corrigir qualquer forma de abuso que possa ter ocorrido. Se você conhece alguém que está sofrendo, ofereça ajuda e se tiver conhecimento de algum abuso, não deixe de denunciar.

Hanna não soube lidar bem com sua tristeza, apesar de ter uma família carinhosa, ela sentia dificuldade em se abrir com os pais e como quem assistiu a série (ou leu o livro) pode notar, na escola ela também sentia falta de ter com quem conversar. Como último pedido de socorro, ela procura ajuda no conselho da escola, onde mais uma vez ela não encontra o apoio necessário. Isso faz com que repensemos não só como existe um despreparo por parte de nossa gestão pública como também por parte de toda a sociedade.

Segundo estimativa de 2012 feita pela OMS (Organização Mundial da Saúde), ocorrem cerca de 800 mil suicídios por ano, equivalente a 1 a cada 40 segundos e por estes números estamos tratando de morte, não de tentativas, saiba mais aqui. Suicídio é um ato de desespero que pode ou não ser premeditado, por isso é extremamente importante demonstrar interesse e disponibilidade para as pessoas próximas à você, pois nem sempre é possível ter sensibilidade para notar se há alguma coisa errada com pessoas a sua volta. Pergunte constantemente as pessoas que você ama como elas estão se sentindo (e faça isso verdadeiramente), ofereça ajuda, mostre que eles podem contar sempre com você e jamais deixe de demostrar o que você sente também.

Acredito que se você não viu a série ainda, agora não vai deixar de assistir. Caso eu ainda não tenha te convencido, saiba que além de tratar de assuntos relevantíssimos, a série conta com uma ótima trilha sonora e atuações maravilhosas!

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Ps: eu já estive em uma situação parecida com a de Hanna e sei um pouco da dor por qual ela passou. Se você está se sentindo triste e/ou perdido, saiba que as pessoas que te amam podem te surpreender. E caso esteja achando que não tem com quem conversar, pode me mandar um inbox em qualquer uma das minhas redes sociais que juntos poderemos tentar resolver as coisas da melhor forma possível. Lembre-se: você não está sozinho.

Playlist para pegar a estrada

Postado por - 24/02/2017

Música   0 comentários

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É minha gente, o carnaval tá chegando. E como eu sei que muita gente vai resolver pegar a estrada, decidi liberar uma playlist que, assim como algumas outras, não está devidamente pronta no meu spotfy (apesar de já ter muito mais de 100 músicas, ops).

Eu não sei vocês, mas quando eu viajo, em alguns momentos amo cantar e dançar no volume máximo do rádio e em alguns outros simplesmente ouvir músicas mais calminhas e ficar olhando pela janela e pensando na vida. É pra não desagradar ninguém! “Perta o pray”

E pra quem quiser também, fiz uma playlistinha de carnaval (Olah lá ô) que não irei postar ainda este ano, mas também vou deixar pública pra vocês escutarem, aqui. Espero que vocês tenham gostado e, caso quiserem dar sugestões, estou aceitando.

Ótimo feriado à todos.

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Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Postado por - 24/01/2017

Biblioteca   0 comentários

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Um dos meus livros favoritos não poderia conter um título simples e curto, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios foi  (muito bem) escrito paras pessoas que, assim como eu, são apaixonadas pelas profundezas em que o amor pode nos afundar. Com uma linguagem simplória e bastante honesta, o paulista Marçal Aquino, consegue nos transportar a um romance tão realista e concreto que nos passa a sensação de estar acontecendo logo ali, perto de casa. Como sempre, destaquei algumas de minhas passagens preferidas com post-its e compartilhei algumas aqui com vocês.

Estruturada no cenário amazônico, no interior do Pará, a história gira em torno de um romance clandestino entre dois personagens mágicos, confusos e totalmente envolventes. Narrado em primeira pessoa, em um futuro não muito distante, pelo protagonista, o fotógrafo Cauby nos conta como já num primeiro instante se apaixonou perdidamente pela sedutora Lavínia, uma mulher extremamente peculiar e inconstante.

“Valeu a pena ser invadido por uma onda de
felicidade,
ser tocado por uma tormenta.”

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Lavínia traz na bagagem um passado sofrido acompanhado de drogas e prostituição, caminhos que a levaram a encontrar seu, então, marido, Ernani, um pastor de igreja evangélica muito querido pelos moradores locais. Cauby deixou a grande São Paulo em busca de paz e inspiração no interior, onde acabou conhecendo o inferno. Os dois começam a dividir seus mundos um com o outro de um modo totalmente intenso e ao mesmo tempo regado de momentos repletos de pequenos prazeres que a vida nos impõe. Como se isso não bastasse, em paralelo temos uma guerra entre garimpeiros e uma mineradora.

Com o auxílio de seu livro de cabeceira (inventado pelo próprio Marçal Aquino) onde o professor Schianberg dita “conceitos” sobre o amor, Cauby se vê cada vez mais perdido e mergulhado no precipício que são os olhos (e lábios) de Lavínia. Os amores perdidos, os amores que nunca existirão, a possessão que resolve se envolver em meio aos relacionamentos e claro, as loucuras que o amor é capaz de nos fazer cometer, se encontram presentes nesta maravilhosa obra – que eu ressalto: brasileira.

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“Poucas vezes me senti tão confortável no mundo. E, no entanto, sofria, por antecipação, o grande vazio que seria o resto da minha existência sem ela.

O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.”

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“Perguntei por que me escolhera.

Gostei do jeito que você me olhou, disse. Parecia que estava pedindo desculpas por me achar tão bonita.

Remova a poesia do que ela falou: eu a olhei na loja de Chang com uma fome que nunca senti por nenhuma outra mulher. Um episódio inaugural. E também fui olhando de uma maneira que ainda não tinha acontecido antes. Conhecê-la fez do passado um mero ensaio, um treino antes de ser exposto à sua incandescência.”

Um livro pra quem gosta de filosofar e teorizar sobre amor, suas consequências e mergulhar nas angustias individuais do ser. De fácil e envolvente leitura, você com certeza irá quebrar alguns paradigmas sobre as relações – não estou falando sobre concordar ou discordar – passando a enxergar que não se pode julgar algo sem valorizar sua história.

Uma curiosidade: o livro deu origem ao filme, de mesmo nome, que foi lançado em 20, onde Lavínia é interpretada pela linda Camila Pitanga(ão) e pode ser assistido no aqui no YouTube (em modesta qualidade, haha). Recomendo ler o livro antes de assistir.

“Alguns amores levam à ruína.
Eu soube disso desde a primeira vez
em que Lavínia entrou na minha casa.”

Ano: 2005
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 229
Nota: 5/5

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É preciso dizer adeus

Postado por - 10/01/2017

Textos   2 comentários

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Tenho adiado isso há dias, talvez por achar que não conseguiria, ou pior, por achar que consigo. Você foi uma das melhores, mais intensas e magnificas histórias que já me aconteceram e eu agradeço tanto por isso. Eu não agradeço apenas pelo fato de ter sido você, mas por ter acontecido algo tão mágico em minha vida. Foi na nossa profundeza que eu me enxerguei como alguém capaz de amar e me doar de um modo que jamais imaginaria que fosse. Eu, que sempre me torturei por não conseguir me entregar e mergulhar de cabeça em algo, finalmente descobri que sou capaz de amar.

Eu tenho evitado falar sobre o que sinto por você – ou mesmo sobre você – nos últimos tempos, pois no fundo nem eu mesma sei direito como agir (só você sabe sobre a minha tendência em confundir as coisas), cada dia eu acordo de um jeito. Este é um dos textos mais difíceis que já escrevi, mas se comparado com o fato de tentar te esquecer, ele acaba se tornando banal, tão fácil de ser criado, que é como se ele já estivesse pronto mesmo antes da gente se conhecer. Sabe, eu tenho saído por aí, bebendo um pouco pra buscar me distrair da tristeza que é não ter você. Acabei conhecendo pessoas novas e reconhecendo algumas antigas, percebi que existem sim outras dezenas de possibilidades por aí e me sinto mal por não conseguir me interessar verdadeiramente por alguém ainda – tem sido tudo tão automático.

Certo dia saí com alguém e foi assustador perceber que o sorriso dele me lembrou você, por um segundo perguntei pra mim mesma se você ainda continua sorrindo daquela mesma forma e me perguntei também se o sorriso que guardo aqui na lembrança realmente condiz a realidade do seu. Acho que nunca saberei a resposta, pois mesmo se eu te ver novamente, aquele sorriso jamais será igual – será apenas uma máscara do que já fomos.

Talvez você não tenha percebido a utopia que foi o fato de termos nos encontrado, mas tenho certeza que você percebe o quão único o que tivemos foi. Talvez você tenha apenas aparecido para inspirar meus textos tristes e se foi, quero agradecer por isso também, pois há muito tempo não escrevia tanto.

Sim, eu estou te deixando para trás, mas não é por não te amar, é porque amar sozinha é doloroso demais.

Eu sempre lembrarei de você em todos os cruzamentos de ruas após a meia noite, lembrei de você ao abrir um livro e pensar que nossa história deveria estar dentro de um e lembrarei também sempre que ouvir o som do motor de um carro antigo (pensarei se é você, – algumas vezes irei até a janela ver se realmente é – nunca é).

Lembrarei que é difícil encontrar alguém que entenda minhas ironias e olhares de um modo tão rápido quanto você entendeu e por mais bobo que pareça, socar o ombro de alguém ao ver um fusca azul nunca mais terá a mesma graça. Vou lembrar do cara que estava com as mãos tremulas ao me beijar pela primeira vez. Sempre que colocar um disco pra tocar, olhar para o teto e isso parecer o melhor de todos os programas, eu lembrarei.

E principalmente, lembrarei de você em todas as horas que me faltar coragem. 

É estranho perceber e ver que uma das últimas coisas que eu te falei, sobre meu medo de conseguir te esquecer, está se tornando realidade. Você bem sabe que por mais que eu queira, eu nunca fui de acreditar em amores eternos, mas saiba que você viverá eternamente em uma daquelas gavetas do meu cérebro em que guardo as coisas importantes.

Certa vez você me disse “Eu não queria que você fosse apenas uma lembrança”. Bem, saiba que você não será apenas isso pra mim, você foi calmaria e foi caos, uma confusão de emoções que eu desejava há tempos para poder me sentir realmente viva. Foi a oportunidade que eu precisava pra saber do que eu sou capaz. E nós? Bem, nós fomos uma música inacabada que se tornou bonita só pelo fato de ter sido pensada.

E se eu estou me libertado de você hoje, não é por não ter sido importante, é para poder dar espaço a novas histórias que, assim como a nossa, eu tenho certeza que serão incríveis. – afinal, eu sou apenas uma criatura louca que senta ao lado de estranhos e compartilha devaneios.

“Apenas isso, o amor é uma névoa que
queima com a primeira luz de realidade.”
– Charles Bukowski